LERAPIA: "Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena e/ou do negro." (Gilberto Freyre)
Somente pode reconhecer essa negrilidade ancestral, aquele (a) que aceita em si, o ente que é, a constituição dessa miscigenação que enobrece o humano ser que nos tornamos e que a História nos registrou, sim, a História não nega que ao trazer o Negro ao Brasil, ao permitir a convivência do Índio e do Branco, esse Brasil que ficou conhecido pela Árvore que lhe deu o nome (pau brasil), construiu a raiz, matiz de nossa gente, que foi cultivada no solo, com sangue, lágrimas, suor e mistura das raças.
Como não se aceitar: negro-índio-branco? Coaduno com Freire, por aceitar minhas origens e constatar em meus traços o brasileiro que sou: feito a imagem e semelhança de culturas que se misturaram e integraram, a tal ponto de não poder se desfazer o melhor que me tornei. Por que então o preconceito, a discriminação, o racismo? Porque nos falta o entendimento de nossa identidade. Essa nunca nos foi ensinada, daí termos a impressão que somente tem identidade quem tem a origem branca europeia, esquecendo-se (?) ou jamais lembrando-se (?). Pois como lembrar o que não se sabe ou esquecer ou que não se aprendeu? Como um filho bastardo se sente ao saber de sua origem, e, por habitar em uma comunidade que o renega, sente vergonha de se assumir filho de quem é. Não deve ser assim o povo brasileiro, pelo contrário, temos que ter orgulho de sermos negros, pois a Filosofia Africana tem Conteúdo (independente da Grécia), a raça negra tem Raízes Valorosas (Genealogias Heróicas, Sábias e Ousadas), o índio não é um imbecil desprovido de conhecimento e sabedoria, mas toda a sua constituição cidadã não era moldada na destruição do ser vivo, mas no respeito à natureza, na sustentabilidade do meio ambiente e na diversidade das existências, se tivéssemos que ter alguma vergonha seria da parte branca que temos, pois com ela veio a morte, a ganância e a destruição, porém, isto é algo que humano é, e também há de ser sempre. Então, carrego a bagagem dessa cultura, com orgulho e sou estimulado a viver a pluralidade cultural, a miscigenação racial e a globalização de nossas regiões brasileiras respeitando as diferenças e integralizando as potencialidades, me aceitando e promovendo o ente que me tornei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Faça seu comentário e cadastre-se no Blog!