26/07/2017

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo e escritor alemão de grande influência no Ocidente. Sua obra mais conhecida é “Assim Falava Zaratustra”. O pensador estendeu sua influência para além da filosofia, penetrando na literatura, poesia e todos os âmbitos das belas artes.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) nasceu em Röchem, na Alemanha, no dia 15 de outubro de 1844. Era filho neto e bisneto de pastores protestantes. Com cinco anos de idade ficou órfão de pai, passando sua infância com a mãe, a irmã e duas tias. Durante A juventude pretendia seguir o exemplo do pai e dedicou-se à leitura da Bíblia. Com 14 anos recebeu uma bolsa de estudos de preparação para o clero. Destacou-se nos estudos religiosos, literatura alemã e estudos clássicos, porém começou a questionar os ensinamentos do Cristianismo.
Friedrich Nietzsche formou-se em 1864 e continuou seus estudos em Teologia e Filologia clássica, na Universidade de Bonn, mas abandonou Teologia para estudar as obras dos filósofos Kant e Schopenhauer e do compositor Wagner. Em 1869 foi nomeado professor de Filologia na Universidade da Basileia, mas deixou a vida acadêmica por um tempo, quando entrou para a vida militar. Durante a guerra franco-prussiana serviu como enfermeiro por um breve período, retornando com problemas de saúde.
Em 1871, publicou seu primeiro livro, “O Nascimento da Tragédia”, dedicado ao amigo Wagner. A segunda edição foi pulicada em 1875, com um adendo sobre "Helenismo e Pessimismo". Na obra ele contrasta os deuses Dionísio e Apolo. Em 1879, com a saúde abalada, com crises constantes de cefaleia, problemas de visão e dificuldade para falar se vê obrigado a se aposentar.
Em 1883 publicou “Assim Falou Zaratustra”, sua obra mais conhecida, que mesclava um estilo bem peculiar entre a reflexão filosófica e a poesia. Nesse livro, ao criticar o pensamento tradicional, Nietzsche estabeleceu um novo padrão de valores. Para o filósofo, não existiam de forma inata no homem o bem e o mal, a verdade e a mentira, a beleza e o feio, mas sim o desejo do poder. Segundo o pensador, os valores tradicionais foram formatados pela cultura judaico-cristã, que pregava a humildade e a submissão.
O pensamento de Nietzsche influenciou as ideias de Eugenismo - cujo teor era o rumo da sociedade guiada pelos mais fortes. Outras obras escritas pelo pensador foram: “Para Além do Bem e do Mal” (1886), primeira crítica séria da modernidade, “Genealogia da Moral” (1887) e “Anticristo” iniciada em 1888 e só publicada em 1895, na qual faz uma comparação com outras religiões, criticando com veemência a mudança de foco que o cristianismo opera, uma vez que o centro da vida passa a ser o além e não o mundo presente. Sua fase criativa foi interrompida em 03 de janeiro de 1889, com uma crise de loucura. Quando um exemplar de sua obra-prima, "Assim Falou Zaratustra", foi colocado diante dele, leu-o durante alguns minutos e disse em seguida: "Não sei quem é o autor deste livro. Mas, pelos deuses, que pensador deve ele ter sido !"
Friedrich Nietzsche, diagnosticado com paralisia cerebral progressiva, faleceu em Weimar, Alemanha, no dia 25 de agosto de 1900.

22/07/2017

Refletindo Sobre a Reflexão de Bertolt Brecht

            Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego, também não me importei. AGORA ESTÃO ME LEVANDO. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo.

          Refletindo sobre essa reflexão de Bertolt Brecht acima cito Maiakowsky (não Vygotsky):
        Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim E não dizemos nada.
          Na segunda noite, Já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
           Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
           E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
       
        Tive a oportunidade de escrever dois livros: Indisciplina – Uma forma de aprendizagem e Pedagogia e Psicanálise um diálogo sobre a indisciplina. Em ambos abordei o caráter positivo e negativo da disciplina, a importância de considerar a indisciplina como fator sinalizador de problemas que precisam ser confrontados pela educação, entretanto, quando a violência sobrepuja as relações é preciso rever o quanto temos falhado: individualmente, pessoalmente, coletivamente, socialmente, e, enquanto Poder Público, o Estado Democrático de Direito, os Três Poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo. É possível confiar? Ou é preciso desconstruir? Quando a sociedade não pode se sentir segura pelo Poder que Outorgou ao Estado, como deve se posicionar diante desse Estado? Pare, Pense, Sinta, Reflita e Aja: AGORA! Pois, se continuar desse jeito, pode não haver um amanhã.

Prof.: Claudio Santos

FRASES DE FILÓSOFOS - 1

"Uma vida sem busca não merece ser vivida". Sócrates
"Quem é capaz de ver o todo é filosofo; quem não, não". Platão

"Creio para entender e entendo para crer". Agostinho

19/07/2017

Tributo ao Bom Aproveitamento do Tempo

Prof. Claudio Santos
Um dia nunca é igual ao outro
Por quê?
Porque um segundo jamais se iguala a outro segundo.
Provavelmente o observador-leitor poderá questionar: Como assim?
Respondo: Sendo segundo ímpar, inigual e proporcionador de diferentes condições.
É óbvio, para mim, e sensato a quem me lê: não me refiro ao segundo em si, mas sim de sua possibilidade aos que nele existem.
Segundos, minutos e horas, vistos no relógio digital, são os mesmos, se sucedem, numa escala, geralmente vista como progressiva. No relógio analógico, parecem ser mais lentos e audíveis, mas cumprem a mesma função: marcar o tempo, de maneira formal e fria.
Porém, ao invés de contarmos esses segundos progressivamente, considerássemos a regressão do tempo como fator primordial, então estaríamos em uma contagem regressiva. Mas não é isso que de fato ocorre? Contamos o tempo que nos resta, mas sem saber que isto fazemos, pensamos que estamos andando no tempo para o futuro, mas o que estamos fazendo é marcando o tempo que vivemos e o que ainda nos resta.
Se o segundo não se iguala, por que então permanecermos os mesmos? Por que não aproveitar a experiência dos erros e acertos e mudarmos para não errarmos tanto e acertarmos mais?
A certeza de nossa provável inexistência deveria facilitar nossa atual existência. Ou seja, sabendo que deixaremos de ser o que estamos sendo, deveria nos permitir ser melhor do que jamais imaginamos ser.
O que somos? Cada segundo nos revela: políticos, religiosos, maus, bons, ruins, perversos, amigos, inimigos, carinhosos, amorosos, ternos, afetuosos, destruidores, opressores...? Mudássemos a cada segundo para melhor, em pouco tempo seríamos o melhor dos melhores dos seres. Entretanto, parece que não entendemos que fazer o pior em tão pouco tempo de existência somente acarreta o pior em nós e aos outros. Eis a grande questão da inigualidade dos segundos: transformação, mudança e possibilidade de se manter existindo em ações que a todos beneficiem.
Então, para não continuar indefinidamente, consideremos não o que somos, mas o que temos sido, como temos agido e quem pretendemos ser e viver em cada segundo. Sim, cada segundo é imprescindível de ser considerado, pois, se não começarmos pelo pouco tempo, pelo pequeno espaço e pelas mínimas ações, jamais conseguiremos entender a importância da eternidade, do bem-fazer e da mudança que possibilita a melhora nas relações.

Sapere Aude: Atreva-se a Conhecer!

13/06/2017

A ALEGORIA DA CAVERNA – A REPÚBLICA (514A-517C)

SÓCRATES: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, pois, homens que vivem em uma morada subterrânea em forma de caverna. A entrada se abre para a luz em toda a largura da fachada. Os homens estão no interior desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo que não podem mudar de lugar nem voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles. A luz lhes vem de um fogo que queima por trás deles, ao longe, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um caminho que sobe. Imagine que esse caminho é cortado por um pequeno muro, semelhante ao tapume que os exibidores de marionetes dispõem entre eles e o público, acima do qual manobram as marionetes e apresentam o espetáculo.
GLAUCO: Entendo.
SÓCRATES: Então, ao longo desse pequeno muro, imagine homens que carregam todo o tipo de objetos fabricados, ultrapassando a altura do muro; estátuas de homens, figuras de animais, de pedra, madeira ou qualquer outro material. Provavelmente, entre os carregadores que desfilam ao longo do muro, alguns falam, outros se calam.
GLAUCO: Estranha descrição e estranhos prisioneiros!
SÓCRATES: Eles são semelhantes a nós. Primeiro, você pensa que, na situação deles, eles tenham visto algo mais do que as sombras de si mesmos e dos vizinhos que o fogo projeta na parede da caverna à sua frente?
GLAUCO: Como isso seria possível, se durante toda a vida eles estão condenados a ficar com a cabeça imóvel?
SÓCRATES: Não acontece o mesmo com os objetos que desfilam?
GLAUCO: É claro.
SÓCRATES: Então, se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que veem, pensariam nomear seres reais?
GLAUCO: Evidentemente.
SÓCRATES: E se, além disso, houvesse um eco vindo da parede diante deles, quando um dos que passam ao longo do pequeno muro falasse, não acha que eles tomariam essa voz pela da sombra que desfila à sua frente?
GLAUCO: Sim, por Zeus.
SÓCRATES: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados.
GLAUCO: Não poderia ser de outra forma.
SÓCRATES: Veja agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas correntes e curados de sua desrazão. Tudo não aconteceria naturalmente como vou dizer? Se um desses homens fosse solto, forçado subitamente a levantar-se, a virar a cabeça, a andar, a olhar para o lado da luz, todos esses movimentos o fariam sofrer; ele ficaria ofuscado e não poderia distinguir os objetos, dos quais via apenas as sombras anteriormente. Na sua opinião, o que ele poderia responder se lhe dissessem que, antes, ele só via coisas sem consistência, que agora ele está mais perto da realidade, voltado para objetos mais reais, e que está vendo melhor? O que ele responderia se lhe designassem cada um dos objetos que desfilam, obrigando-o com perguntas, a dizer o que são? Não acha que ele ficaria embaraçado e que as sombras que ele via antes lhe pareceriam mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?
GLAUCO: Certamente, elas lhe pareceriam mais verdadeiras.
SÓCRATES: E se o forçassem a olhar para a própria luz, não achas que os olhos lhe doeriam, que ele viraria as costas e voltaria para as coisas que pode olhar e que as consideraria verdadeiramente mais nítidas do que as coisas que lhe mostram?
GLAUCO: Sem dúvida alguma.
SÓCRATES: E se o tirarem de lá à força, se o fizessem subir o íngreme caminho montanhoso, se não o largassem até arrastá-lo para a luz do sol, ele não sofreria e se irritaria ao ser assim empurrado para fora? E, chegando à luz, com os olhos ofuscados pelo brilho, não seria capaz de ver nenhum desses objetos, que nós afirmamos agora serem verdadeiros.
GLAUCO: Ele não poderá vê-los, pelo menos nos primeiros momentos.
SÓCRATES: É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos, refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da lua mais facilmente que durante o dia para o sol e para a luz do sol.
GLAUCO: Sem dúvida.
SÓCRATES: Finalmente, ele poderá contemplar o sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio sol, no lugar do sol, o sol tal como é.
GLAUCO: Certamente.
SÓCRATES: Depois disso, poderá raciocinar a respeito do sol, concluir que é ele que produz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível, e que é, de algum modo a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.
GLAUCO: É indubitável que ele chegará a essa conclusão.
SÓCRATES: Nesse momento, se ele se lembrar de sua primeira morada, da ciência que ali se possuía e de seus antigos companheiros, não acha que ficaria feliz com a mudança e teria pena deles?
GLAUCO: Claro que sim.
SÓCRATES: Quanto às honras e louvores que eles se atribuíam mutuamente outrora, quanto às recompensas concedidas àquele que fosse dotado de uma visão mais aguda para discernir a passagem das sombras na parede e de uma memória mais fiel para se lembrar com exatidão daquelas que precedem certas outras ou que lhes sucedem, as que vêm juntas, e que, por isso mesmo, era o mais hábil para conjeturar a que viria depois, acha que nosso homem teria inveja dele, que as honras e a confiança assim adquiridas entre os companheiros lhe dariam inveja? Ele não pensaria antes, como o herói de Homero, que mais vale “viver como escravo de um lavrador” e suportar qualquer provação do que voltar à visão ilusória da caverna e viver como se vive lá?
GLAUCO: Concordo com você. Ele aceitaria qualquer provação para não viver como se vive lá. SÓCRATES: Reflita ainda nisto: suponha que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do sol?
GLAUCO: Naturalmente.
SÓCRATES: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?
GLAUCO: Sem dúvida alguma, eles o matariam.
SÓCRATES: E agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar exatamente essa alegoria ao que dissemos anteriormente. Devemos assimilar o mundo que apreendemos pela vista à estada na prisão, a luz do fogo que ilumina a caverna à ação do sol. Quanto à subida e à contemplação do que há no alto, considera que se trata da ascensão da alma até o lugar inteligível, e não te enganarás sobre minha esperança, já que desejas conhecê-la. Deus sabe se há alguma possibilidade de que ela seja fundada sobre a verdade. Em todo o caso, eis o que me aparece tal como me aparece; nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a ideia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo. No mundo visível, ela gera a luz e o senhor da luz, no mundo inteligível ela própria é a soberana que dispensa a verdade e a inteligência. Acrescento que é preciso vê-la se quer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública.
GLAUCO: Tanto quanto sou capaz de compreender-te, concordo contigo.
REFERÊNCIA:
A Alegoria da caverna: A Republica, 514a-517c tradução de Lucy Magalhães. In: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia: dos Pré-socráticos a Wittgenstein. 2a ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.

"CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ". João 8:32.

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